Para quem não leu (e não sabe o que está perdendo), o livro tem uma estrutura interessante e diferente: intercala ilustrações lindas - que utilizam linguagem cinematográfica - com textos. As ilustrações não estão lá somente para ilustrar o texto, elas constroem a história tanto quanto as palavras. Isso cria um ritmo gostoso na leitura e não consegui largar o livro até terminá-lo.
O livro é uma linda homenagem a Georges Méliès. Lembro-me de ter visto um filme dele quando fazia uma disciplina de História do Audiovisual na ECA e tinha ideia da importância deste cineasta para a história do cinema. O filme de Scorcese consegue reproduzir essa homenagem, e lindamente.
O filme Hugo não é para crianças, embora os pequenos possam apreciá-lo. O livro é considerado infantojuvenil, mas para mim, assim como o filme, é para todas as idades. Ambos são muito sensíveis e lindos, remetem a um sentimento de perda e nostalgia que me deixaram emocionadas. Mas não sei o que eu teria pensado do filme se não tivesse lido o livro antes e me apaixonado por ele. Se alguém vai assistir pensando em uma aventura infantil, creio que se decepcione.
Filme x livro
Em geral, me interesso por um livro quando vejo um filme bom baseado nele, ou vice-versa. Há muita gente que não gosta das adaptações, mas eu realmente acho interessante ver e ler e comparar como um texto foi relido por um cineasta. Em muitos casos - ou na maioria das vezes - prefiro o livro ao filme, e muitas vezes me decepcionei com o segundo. Mas também já tive boas surpresas ao ver os cenários e personagens descritos em palavras mostrados na tela do cinema.No caso de Hugo, a fotografia é realmente linda. Os efeitos 3D (já que o filme foi feito com câmeras 3D) são interessantes, ajudando a criar a atmosfera. E há as cenas dos filmes de Méliès, mais a recriação do que teria sido o cineasta trabalhando. Muito bom!
Neste caso não sei dizer se prefiro o filme ou o livro. Creio que ainda prefira o livro, pois foi ele quem me fez ter interesse no filme. Mas adoro cinema - apesar de não entender nada sobre o tema - e Scorsese me cativou nesta obra. Há algumas mudanças nos personagens e no enredo, mas sempre ocorrem. Por exemplo, Isabelle se entende de cara com Hugo no filme, o que demora um pouco mais na obra de Selznick. E o que aconteceu com o caderninho de Hugo no filme?
O que ficou estranho no Brasil foi que usaram o mesmo título no filme do que é no livro: A Invenção de Hugo Cabret. No entanto, o filme não fala da invenção final de Hugo, e acho que o filme poderia ter se chamado só Hugo mesmo, como no original.
Enfim, creio que esta tenha sido uma das adaptações de livros para o cinema que mais me agradaram. Recomendo ambos!
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